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Saturday, October 23, 2021

Rebeca Andrade ganha ouro no salto e prata nas barras do Mundial; ginasta começou carreira em projeto social de Guarulhos - G1

Rebeca Andrade com a medalha de ouro do Mundial de ginástica — Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters

Rebeca Andrade com a medalha de ouro do Mundial de ginástica — Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters

A ginasta Rebeca Andrade, de 22 anos, voltou a brilhar na manhã deste sábado ao conquistar o título de campeã mundial de salto em Kitakyushu, no Japão. Além de receber a medalha de ouro, Rebeca também ganhou prata na disputa das barras assimétricas.

Foi a primeira vez que um ginasta do Brasil conseguiu duas medalhas em um único Mundial. Ela entrou para um hall de medalhistas brasileiros em Mundiais, se juntando a Daiane dos Santos, Daniele Hypolito, Jade Barbosa, Diego Hypolito, Arthur Zanetti e Arthur Nory. E a coleção de medalhas de Rebeca pode aumentar no domingo, às 5h (de Brasília), quando ela fecha sua participação em Kitakyushu na decisão da trave.

Em agosto, a ginasta Rebeca Andrade fez história em Tóquio ao se tornar a primeira mulher brasileira a vencer duas provas na mesma edição dos Jogos Olímpicos.

VÍDEO: Rebeca começou a treinar em Guarulhos aos 6 anos de idade

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De origem humilde, Rebeca iniciou a carreira no projeto social Iniciação Esportiva, da Prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Lá, ela ganhou o apelido de "Daianinha de Guarulhos", em referência a Daiane dos Santos, vencedora de nove medalhas de ouro em campeonatos mundiais no solo entre 2003 e 2006. Ela chegou a conhecer Daiane na ocasião (veja vídeo abaixo).

Rebeca, que é atleta do Flamengo, conquistou vaga em três finais, incluindo a do solo, em que se apresenta ao som do funk "Baile de favela". Nesta manhã, ela se tornou a primeira brasileira medalhista olímpica na categoria, na final do individual geral.

A ginasta brasileira Rebeca Andrade comemora o ouro no salto no Mundial de Ginástica Artística em Kitakyushu, no Japão — Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters

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Começo em Guarulhos

Rebeca começou a treinar aos 4 anos no Ginásio Bonifácio Cardoso. "A Rebeca desde pequena sempre foi muito travessa, tudo que ela fazia era pulando, ela levava muito jeito para a coisa, mas eu não tinha muita noção de como funciona as coisas, onde tinha ginásio", conta a mãe da ginasta, Rosa Rodrigues, de 51 anos.

Como 'Baile de Favela' foi parar nas Olimpíadas de Tóquio com Rebeca Andrade

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Segundo Rosa, o acaso interveio, e a tia de Rebeca, que era funcionária pública, teve que cobrir a licença de uma outra pessoa que trabalhava no ginásio da cidade. Na semana em que a tia começou a trabalhar por lá, estavam abertas as inscrições para testes de novos atletas. Ela levou Rebeca, que na época tinha 4 anos, para se inscrever. Foi nesse dia de teste que ela levou o apelido de 'Daianinha'.

O passo seguinte foi dado por Mônica Barroso dos Anjos, técnica da equipe de ginástica de Guarulhos e árbitra internacional. Foi ela quem descobriu Rebeca na Iniciação Esportiva. Mônica treinou a jovem por um ano e meio. Em seguida, a encaminhou para o grupo de alto rendimento, onde Rebeca disputou competições representando Guarulhos, como o estadual, o brasileiro e até um interclubes em Cuba, em 2009.

Rebeca Andrade em Cuba em uma competição por Guarulhos — Foto: Arquivo pessoal

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"Me lembro que peguei na mãozinha dela e perguntei: 'Quer fazer o teste?'. Pedi para que ela pulasse no tablado e na hora eu brinquei: 'Uau! essa é a futura Daiane dos Santos!'. Depois pedi para ir para a barra, abrir espacate, dar estrelinha. Eu, que trabalho há muito tempo na área, já via que ela levava jeito, era veloz, explosiva, tinha o biotipo com muito músculo, bem definida."

Rebeca treinou por cinco anos, entre 2005 e 2010, no ginásio de Guarulhos com o projeto do município que atende crianças e jovens com idade entre 7 e 17 anos. Além da ginástica artística, há diversas modalidades, como futsal, voleibol, basquete, futebol, handebol e natação, entre outras. Atualmente, cerca de 5 mil jovens são atendidos pelo projeto.

Rosa Rodrigues, que além de Rebeca tem outros sete filhos, conta que a família enfrentou dificuldades para que a jovem continuasse treinando. "No começo, eu trabalhava como empregada doméstica, então estava tudo certo. Mas teve uma época que as contas apertaram, e ela teve que parar de treinar por falta de condições financeiras. Mas quando retornou, não parou mais. Ia de ônibus e, quando não tinha dinheiro, ia a pé, mesmo com a distância do local do treino — cerca de 2 horas a pé."

Quando a jovem parou de frequentar os testes por falta de dinheiro, os treinadores de Rebeca criaram um esquema de rodízio para levá-la até o local. Na época, a Prefeitura de Guarulhos disponibilizou uma espécie de bilhete único para que os atletas frequentassem os treinos, porém, quando o valor disponível no cartão acabava, demorava muito tempo para cair a recarga novamente.

Aos 9 anos, Rebeca recebeu um convite da atual treinadora para acompanhá-la em Curitiba. Em 2012, a jovem foi para o Rio de Janeiro para competir pelo Flamengo. Atualmente, ela é atleta do time.

Rebeca com a medalha de prata — Foto: Reprodução/Globo

Rebeca com a medalha de prata — Foto: Reprodução/Globo

Apoio da família

Rosa conta que foi nesse período que o irmão de Rebeca, Emerson Rodrigues, hoje com 30 anos, comprou uma bicicleta para levar e buscar a atleta nos treinos. "No começo, ele levava ela a pé, mas teve a ideia de comprar a bicicleta em uma fábrica de reciclagem. Ela tinha entre 6 e 7 anos, e ele, cerca de 15."

Segundo ela, nos dias de treinos Emerson realizava apenas uma refeição por dia porque ele ficava esperando até o fim dos treinos e depois disso ia para a escola. "Ela almoçava no ginásio por ser atleta, depois disso os dois iam para a escola, ele não conseguia chegar a tempo de comer no local, só a noite, depois que chegava em casa".

Rosa conta que muitas pessoas ajudaram a família a pagar a condução para que a jovem não deixasse de treinar em Guarulhos. Havia até um motorista de ônibus que dava carona para Rebeca e Emerson sempre que encontrava os dois no caminho.

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